«[…] yo sostengo que el libro es un objeto al que hay que poseer. Tiene que haber una relación vital, amorosa con él. Por eso, yo también los subrayo, los araño, les hago notas marginales. Uno tiene que vivir con sus libros, irse a la cama con ellos, dejarlos marcados». Julio Ramón Ribeyro
Acabo de ver un video acerca de lo que sería el fin del universo, la muerte térmica, agujeros negros por doquier, el día en que se agoten todas las fuentes de energía. Y yo, hace unos minutos, leía sobre la importancia de la eliminación del doble grado de jurisdicción. Se me quitaron las ganas en un tris. ¡Qué irrelevante que es la vida!
Maria acorda. Ela se levanta com dificuldade e põe os chinelos. Caminha devagar. Curvada. Enxergando o chão. Quando era moça, ela era forte como um touro e gata. Ainda mantém a severidade no seu rosto. Chega até o sofá e se senta. Seu filho saiu de casa faz uma hora para o trabalho. Tomou café da manhã com ela. Agora ela não tem com quem falar. Mais, não importa. Aprendeu a falar com a televisão.
No primeiro andar, acima, seu neto briga com seus filhos pequenos. Quando escuta os gritos, ela se sente contente. Imagina-se acompanhada mesmo que não seja assim. Ela não pode ter boca de siri, mesmo se quiser. Esquece tudo o que acontece. E repete tudo, todos os dias, dezessete ou vinte vezes, como uma máquina. Recebe uma chamada telefônica para lembrá-la de tomar os medicamentos, com o almoço, tentando deter o esquecimento. Para evitar uma intoxicação, lhe deixam uma só pastilha.
Sua filha Beatriz é a ovelha negra da família. Não a visita. A outra filha fez questão dela não sair de casa. O toque de recolher a deixou isolada. O dia termina. Seu filho retorna a casa. Tudo se repete. E assim será amanhã, e depois também. Ela representa a rotina na vida.